8.4.14

Amanhã faço anos, portanto tenho andado em modo instrospectivo e em balanço :)

5.4.14

What Maisie Knew

Este filme é daqueles filmes cliché, no entanto tem 7,5 no imdb e tem a Julianne Moore, portanto lá fui eu ver.
O filme retrata a história de uma menina de 7 anos filha de uma estrela de rock e de um negociador de arte que vivem em Nova York e que decidem divorciar-se entre gritos, tragédias e loucuras.

A Maisie( daí o filme chamar-se What Maisie Knew) é a miúda que é apanhada neste turbilhão de emoções que é este divórcio e onde a criança serve de arma de arremesso aos progenitores.

Os pais divorciam-se, o pai envolve-se com a ama, a mãe para conseguir a guarda casa-se com o empregado de mesa, parece uma mixórdia, mas não é, todos da sua forma tocam a vida de Maisie e em todos a Maisie confere o seu toque.

Steve Coogan interpreta o pai egoísta e em crise de meia idade que se envolve com a Nanny que deve ter menos 15 anos do que ele, e todos convivem alegremente com isso.

O filme desenrola-se com uma criança que ensina aos adultos que o amor é o mais importante, e que, por vezes os laços de sangue não são o mais importante.

Porque no fim, o que contam são os afectos.

Para mim, das melhores interpretações numa criança de tenra idade, giro ver Steve Coogan sem ser em comédia, Julianne sempre fabulosa e tem os mesmos produtores de " Os miúdos estão bem".

Um filme que nos ensina as novas famílias, os meus, os teus, os nossos, numa mixórdia bonita e algo louca.

A ver.

3.4.14

MEC

Quando eu pensava que não podia ser mais feliz, manhã após manhã era mais, mas só um bocadinho mais do que o máximo humanamente possível; pensava eu ser absolutamente impossível que eu fosse, de repente, muito mais feliz, do que a própria felicidade até. Mas, de repente, fui. Muito mais. Casei com o meu amor e o meu amor tornou-se a minha mulher, minha em tudo, para tudo, para sempre. E eu, finalmente, consegui divorciar-me de mim e deixar de ser tão triste e aborrecidamente meu, trocando-me, no melhor negócio do século, por ela. Ela ficou minha. Eu fiquei dela. É ou não é estranho e lindo e bem pensado por Deus Nosso Senhor que ambos pensemos que nos livrámos de boa e ficámos a ganhar? É.

É sim. A minha mulher é mais minha do que eu alguma vez fui meu — e eu antes não podia ter sido mais para mim, felizmente. Por ter tudo agora para lhe dar. Que alívio. Nunca mais me quero ver na vida. 

A não ser aos olhos dela, onde sou muito bem visto — talvez o maior homem que já viveu, logo a seguir ao pai dela, claro. É um milagre como melhorei tanto. E paradoxalmente sem deixar de ser eu por causa disso. Ou mesmo que deixasse, com tal amor não tinha saudades nenhumas. 

Sou em termos estritamente matemáticos, amorosos e integrais, tanto mais dela como o todo absoluto que ela é e me deu. Afinal o casamento é a maior ajuda que se pode receber. Passa-se a pertencer. E, em troca, passa-se a possuir. A pertencer e a possuir mesmo. Fica-se, por troca, sossegadamente apropriado e violentamente proprietário. Não me venham com modernismos de meia-tijela, liberalices sem fundamento humano, tretas de quem não ama, de quem não aspira ser de outro, amado, que nos ama. Casar é trocar. Casar é trocar a liberdade podre, que é a de cada um, pela posse rica, que é a de quem se quer. E casando se passa a ter, absolutamente, por vontade de quem se dá e de quem recebe. 

Casando por amor prescinde-se do nosso pior inimigo (nós próprios), entregando-o a quem sabe e gosta de aproveitá-lo, abusá-lo, tirar o maior prazer dele. E recebe-se quem mais queremos, para dela fazermos o que queremos, que é tudo. 
Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português

Filme da semana!!!