28.1.16

Não costumo, de todo, fazer publicidade a estas coisas, porque acho sempre que podemos e devemos fazer o bem sem olhar a quem, no entanto acho que quanto mais visíveis as coisas forem melhor, melhor para quem precisa ser ajudado.

No outro dia, na rua, fui abordada por um senhor a pedir-me ajuda, confesso que nem todas as vezes em que sou abordada presto a devida atenção a quem está a falar comigo, às vezes tenho pressa, outras vezes não tenho paciência, confesso, sou humana, tenho dias bons e menos bons, mas este dia foi diferente,acabei por ficar um bom bocado à conversa com o senhor.

Começou por pedir-me ajuda indicando que precisava de dinheiro para pagar um albergue naquela noite, precisava de 12€ para ir dormir aos Anjos, tentei perceber melhor esta história, o senhor tinha cancro, não tinha mulher, não tinha filhos, tinha só um irmão emigrado em Malta que às vezes o ajudava, mas que também tendo a sua própria família, nem sempre o conseguia ajudar.

O senhor tinha trabalhado durante alguns anos como motorista da CML, no entanto tinha ficado desempregado e depois não mais tinha conseguido arranjar trabalho. Andava em tratamentos no IPO e muitas vezes a AMI ajudava-o com comida, roupa e medicamentos. Não sei se o senhor era toxicodependente ou não, para o caso não interessa muito, era uma pessoa que precisava de ajuda.

Disse-lhe que o ajudava com o quarto e com comida, disse-me que não me podia pedir tanto, eu disse deixe estar, eu ajudo. Fui levanter dinheiro, o senhor sempre com dignidade afastou-se para eu estar à vontade a fazer o levantamento, dei-lhe o dinheiro e disse e agora o que quer comer ali no café?

Disse que não podia aceitar, eu disse para escolher o que lhe apetecesse, mesmo em dificuldades qualquer pessoa tem direito à escolha, é comida, somente comida, escolheu uma tartelete e um compal. Entretanto disse-lhe quando nos despedimos, para ele um dia que pudesse retribuir o meu gesto com alguém que precisasse, afinal precisamos todos uns dos outros.

Disse-me que sim, e disse-me também que muitas vezes ajudava outras pessoas, mesmo tendo muito pouco.

Já eu, segui o meu caminho, ficando a vê-lo comer a tartelete, tinha-me dito no café que tinha escolhido aquilo porque adorava e já não comia há muito tempo.

Não quero, de todo, auto publicitar-me com este gesto, durmo de consciência tranquila da forma como trato os outros, mas acho miserável a forma como algumas pessoas vivem e ainda mais miserável andarmos todos indiferentes aos problemas dos outros, o mundo seria tão melhor se todos nos ajudássemos uns aos outros e se todos tivessem a oportunidade de ter uma vida digna.

Não mudamos o mundo, mas podemos e devemos viver de uma forma mais generosa.



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