Nunca antes me tinha pronunciado sobre este assunto, no entanto penso que chegou a altura de o fazer, depois de tanta tinta que se leu e escreveu.
Eu andei na faculdade, fui praxada, conheci gente porreira e também conheci gente muito estúpida, no entanto penso que não se pode generalizar e afirmar que todas as praxes são más e violentas ou então que é tudo espectacular e que fazemos imensos amigos e mimimi.
Tudo tem o seu lado bom e o seu lado mau, agora há aqui um pormenor que não podemos descartar, as pessoas só vão até onde deixamos que elas vão, isto para mim é básico, é básico com 26 anos e era básico com 18/20 anos, porque eu não deixo que sejam ultrapassados certos limites. Se os miúdos são todos iguais, não, não são, se gostam de fazer e submeter-se a diversas coisas para serem aceites, é também verdade, no entanto a responsabilidade das praxes é de ambos os lados, de quem faz e de quem aceita.
Eu acho giro andar pintada, correr a dizer umas parvoíces inofensivas, agora jamais me sujeitaria a ir para o Meco de madrugada, fazer 7kms trajada e estar uma praia que já de Verão é perigosa, quanto mais numa noite de inverno em que penso até estava alerta vermelho, sinceramente vamos acordar para a vida, vocês sujeitavam-se???
Eu dava meia volta e ia à minha vida, se tinha medo de sofrer represálias, tinha, mas a minha integridade e dignidade será sempre o mais importante.
Tudo isto para vos dizer que na minha modesta opinião, o sobrevivente não é o único responsável, no fundo e perdoem-me os pais dos miúdos que morreram, todos têm a sua responsabilidade, simplesmente só um sobreviveu para contar a história.
Por outro lado, agora vêm a lume notícias de que alegadamente uma das raparigas mandava sms ao DUX a relatar o que se passava com outros elementos do grupo, sinceramente o que é isto? Temos mesmo de mudar mentalidades e ensinar os miúdos que não é tratanto os outros mal, ou submetendo-se a castigos vários que vamos a algum lado, temos de pensar pela nossa cabeça, custa e muito, mas vale a pena.
Eu tenho o máximo de respeito pela dor deste pais e sei que só conseguirão algum descanso quando souberem exactamente aquilo que se passou, que o sobrevivente fale e relate com veracidade aquilo que se passou, mas a responsabilidade, essa é de todos os que lá estavam, no sítio errado à hora errada.




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