12.1.14

O Lobo de Wall Street

Este fim de semana desloquei-me ao cinema para assistir ao novo filme de Martin Scorsese, O Lobo de Wall Street.

Martin Scorsese filma sempre factos, nunca filma no sentido de nos fazer pensar da forma A ou B, filma
factos, dados objectivos, depois cada um tirará as suas próprias conclusões. Scorsese não é um realizador moralista. de realçar também a jovialidade de Scorsese a realizar, tendo em conta que o senhor já passou os 70 anos, tudo isto são pontos a seu favor.

O Lobo de Wall Street já não é a primeira colaboração de Martin Scorsese e Leonardo Di Caprio, esta é já uma relação de anos, e nota-se que existe um carinho muito especial de Leonardo no que respeita  este papel, existe um grande empenho da parte dele em trazer veracidade ao personagem, Jordan Belfort.

Sentimos isto nesta película e em quase todos os filmes de Scorsese, lembro-me de " Tudo Bons Rapazes", não tendo adorado o filme, senti sempre que me eram apresentados factos, e eu como espectadora tiraria as minhas próprias conclusões, a temática comum de Tudo Bons Rapazes, Casino e Lobo de Wall Street, os vícios, ganhar imenso dinheiro, o dinheiro fácil.

Leonardo Di Caprio tem um papel à sua medida, ele brilha nestes papéis, em personagens intensas, personagens que enchem a cena com as suas idiossincrasias e trejeitos. Este papel é feito para ele e à medida dele,  podemos afirmar que é o actor fetiche de Martin Scorsese, assim comoMichael Fassbender é para Steve McQueen. Di Caprio já queria fazer este filme há 7 anos, no entanto só agora Scorsese teve oportunidade de avançar  com o filme e fá-lo tão bem.

Gostei do  filme, é bem filmado, bem feito, tem boas interpretações, é muito excêntrico, talvez demais para algumas pessoas, mas penso que retrata bem a vida das pessoas em Wall Street naquela época, retrata bem a ganância, o querer sempre mais e mais, os vícios, seja de dinheiro, de drogas, de sexo, vidas repletas de excessos.

Por outro lado, achei o filme demasiado longo, três horas é demais, penso que se o filme fosse menor ter-se-ia desenrolado de uma forma igualmente eficaz, não obstante ter lido que Scorsese filmou quase 4 horas de filme, no entanto nas salas fica pelas 3 horas.

Amei a personagem de Jonah Hill, o Donnie, que personagem tão caricata e como em quase todos os filmes de Scorsese o melhor amigo acaba eventualmente por trair o personagem principal, gostei muito desta figura tão peculiar.

Por último, a minha cena preferida passa-se no metro, o agente do FBI a observar as pessoas que vão com ele naquela viagem , olha para o jornal, onde na primeira página vem a notícia da detenção de Jordan Belfort(personagem principal) e num claro exercício mental pensa, valerá a pena meter wall street na prisão, não me deixar corromper e continuar a andar no subway? O sentido do dever sempre tão presente no povo americano.

O filme não sendo uma biografia, é baseado no livro que  Jordan Belfort escreveu aquando da sua saída da prisão, antigo corretor de bolsa, acusado e preso por vários crimes nos anos 90, mas que hoje é um guru internacional de vendas, no entanto é pertinente referir que Jordan Belfort estava quase sempre drogado, portanto é tudo hiperbolizado, desde o avião que ele freta e que explode, ao facto do mesmo, alegadamente, chegar bem a casa, no entanto tinha espatifado o carro todo, por isso o filme é exagerado.

Existirá algo mais paradoxal do que isto?

Filme mais do que recomendado, no fundo retrata toda a podridão que sempre assolou Wall Street e que foi francamente assumida em 2008 com a falência do Lehman Brothers e de todo um sistema financeiro.

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